Todos os artigosPrevenção Odontológica

Siso incluso: quando precisa tirar?

Nem todo siso incluso precisa ser extraído. Entenda quando o acompanhamento pode ser suficiente, quais problemas levam à indicação de cirurgia e como o dentista avalia.

12 de outubro de 20266 min de leituraPrevenção OdontológicaPor Dr. Fábio Ribeiro de Souza
Paciente jovem conversando com a dentista na cadeira do consultório

Nem todo siso incluso precisa ser extraído. Se o dente está saudável, não causa problemas e não apresenta alterações no exame, pode ser apenas acompanhado pelo dentista. A remoção costuma ser considerada quando há doença, sintomas recorrentes ou comprometimento de estruturas próximas, como o segundo molar. A posição do siso, sozinha, não decide o tratamento: é preciso avaliar a boca e os exames de imagem, além de comparar os benefícios e os riscos de operar ou manter o dente.

O que significa ter um siso incluso

O siso é o terceiro molar, localizado no fundo da arcada. Na conversa com o paciente, o termo incluso costuma descrever um dente que permanece total ou parcialmente dentro do osso ou sob a gengiva. Impactado é o dente que encontra uma barreira ou uma posição que impede sua erupção normal. Esses termos podem aparecer juntos no laudo, mas não significam, por si só, que existe uma doença.

Um siso parcialmente erupcionado tem uma parte da coroa visível na boca e outra ainda coberta por gengiva. Ele também pode estar impactado, mas não é a mesma situação de um dente completamente coberto. Essa diferença importa: quando existe comunicação com a boca, restos de alimentos e placa podem se acumular sob a gengiva que recobre o dente, dificultando a limpeza e favorecendo inflamação.

Por que o siso pode não nascer normalmente

A falta de espaço na arcada é uma das razões. O terceiro molar também pode se desenvolver inclinado, encostar no dente da frente ou permanecer em uma posição profunda no osso. A anatomia da mandíbula e o caminho de erupção influenciam o que acontece. Há sisos que chegam a aparecer parcialmente e outros que nunca ficam visíveis na boca. O exame ajuda a entender qual dessas situações está presente, sem concluir que todo dente que não nasceu precisa ser removido.

Quando o siso pode ser apenas acompanhado

O acompanhamento pode ser uma conduta adequada quando o siso não apresenta doença e a avaliação não identifica dano aos tecidos ou aos dentes vizinhos. Isso não significa esquecer que ele existe. As consultas permitem observar a gengiva, o segundo molar e eventuais mudanças; exames de imagem são solicitados conforme a necessidade clínica, não por um calendário igual para todos.

Não sentir dor é uma informação importante, mas não basta para afirmar que o dente está saudável. Algumas alterações são identificadas no exame antes de causar sintomas. Por outro lado, encontrar um siso incluso na radiografia não torna a extração obrigatória. A orientação do NICE desaconselha a remoção rotineira de sisos impactados sem doença. A decisão individual considera o que foi encontrado, as possibilidades de acompanhamento e os riscos da intervenção.

Quando a extração pode ser indicada

A extração pode entrar no planejamento quando existe um problema associado ao siso que justifique a intervenção. Entre as situações avaliadas estão:

  • Dor recorrente cuja origem no siso foi confirmada na avaliação.
  • Infecção ou episódios repetidos de pericoronarite, inflamação da gengiva ao redor de um dente parcialmente erupcionado.
  • Cárie que não pode ser restaurada adequadamente no siso.
  • Cárie, reabsorção ou outro dano ao segundo molar relacionado à posição do siso.
  • Doença gengival ou perda de suporte dos dentes na região.
  • Cisto, lesão associada ou outras alterações identificadas nos exames.

Essas situações não funcionam como uma lista para decidir em casa. Uma primeira inflamação leve da gengiva, por exemplo, não determina automaticamente a extração; a gravidade e a repetição dos episódios fazem diferença. Dor no fundo da boca também pode ter outra origem. O dentista precisa confirmar a causa e discutir as opções antes de indicar a cirurgia.

Como o dentista decide se é hora de tirar

A consulta reúne o histórico dos sintomas, o exame da boca e a avaliação da saúde geral. O dentista observa a gengiva, a possibilidade de limpeza, a condição do segundo molar e sinais de infecção. Informe doenças, medicamentos em uso, alergias e experiências anteriores com anestesia ou cirurgias. Esses dados ajudam a planejar tanto o tratamento quanto os cuidados posteriores.

A radiografia mostra a posição, a profundidade e o formato das raízes, além de possíveis alterações ao redor do dente. Quando uma dúvida relevante não pode ser esclarecida por esse exame, outros exames de imagem, como a tomografia, podem ser necessários. Nos sisos inferiores, a proximidade das raízes com o canal que abriga um nervo merece atenção. Nos superiores, a relação com o seio maxilar também pode influenciar o planejamento. Tomografia não é obrigatória para todo caso.

A cirurgia é igual para todo mundo?

Não. Um siso próximo da superfície pode exigir uma abordagem diferente de outro que esteja profundo, inclinado ou com raízes complexas. Pode ser necessário abrir a gengiva, remover uma porção de osso ou dividir o dente para retirá-lo. A anestesia é planejada para controlar a dor durante o procedimento, mas isso não equivale a prometer uma experiência indolor ou uma cirurgia simples em todos os casos.

Os riscos devem ser conversados antes da intervenção. Além de sangramento e infecção, pode ocorrer alveolite, uma complicação da cicatrização que costuma causar dor importante. A proximidade com nervos pode aumentar o risco de alteração de sensibilidade no lábio, no queixo ou na língua. Essa alteração, às vezes chamada parestesia, pode ser percebida como dormência ou formigamento. Pode ser temporária, mas em alguns casos persiste. O risco depende da anatomia e da cirurgia, e deve ser explicado de forma individual.

Como costuma ser a recuperação

Depois da cirurgia pode haver dor, inchaço, rigidez para abrir a boca e desconforto ao mastigar. A intensidade e a duração variam conforme o procedimento e a resposta de cada pessoa. O retorno ao trabalho, aos exercícios e à alimentação habitual deve seguir a orientação da equipe. Sentir-se melhor não significa que a região já terminou de cicatrizar, e comparar a própria recuperação com a de outra pessoa pode levar a conclusões equivocadas.

Siga exatamente as recomendações do dentista sobre higiene, alimentação, repouso e proteção da área operada, assim como qualquer receita recebida. Não inicie nem altere medicamentos por conta própria. Tabagismo pode prejudicar a cicatrização e deve ser discutido na consulta. Os retornos fazem parte do cuidado: permitem avaliar a evolução e ajustar as orientações quando necessário.

Quais sinais pedem contato com o dentista

Procure a equipe se houver sangramento persistente apesar das medidas orientadas, dor ou inchaço que pioram em vez de melhorar, febre, secreção ou gosto ruim associado à piora do quadro. Dificuldade crescente para abrir a boca e alteração de sensibilidade que persiste além do efeito esperado da anestesia também precisam ser relatadas. Não é necessário esperar o retorno marcado para comunicar esses sinais.

Dificuldade importante para engolir ou respirar, especialmente acompanhada de inchaço, exige atendimento de urgência imediato. Esses sinais não devem aguardar uma resposta por mensagem. As orientações valem tanto para problemas antes da extração quanto para a recuperação: não confirmam um diagnóstico à distância, mas indicam a necessidade de avaliação.

Se você tem um siso incluso e quer entender se deve acompanhar ou tratar, agende uma avaliação com o Dr. Fábio Ribeiro em São José dos Campos. Leve exames anteriores, se tiver, e conte se houve dor ou inflamação na região. Este conteúdo é educativo e não substitui o exame odontológico nem a orientação individual.

Compartilhar:WhatsApp

Tem dúvidas sobre o seu caso?

Fale com o Dr. Fábio pelo WhatsApp e agende uma avaliação.

Agendar Consulta